domingo, 28 de julho de 2013

SOBRE SANTAS E VADIAS | Alexandre Bortolini

Como comentar a destruição da imagem da santa na Marcha das Vadias sem cair no senso comum?

A minha experiência com a Igreja Católica foi muito marginal. Eu cresci em família kardecista. Nada de missa, hóstia, confissão, nem velho testamento. Apesar de muitos espíritas ainda conservarem um bocado do ranço moralista, esses não eram maioria lá em casa. Eu fui ensinado, desde cedo, a olhar para a Igreja com uma certa condescendência arrogante (bem comum entre kardecistas), como quem olha para um adolescente, às vezes pentelho, às vezes engraçado, que ainda não entendeu direito as coisas da vida. Logo logo eu mesmo me dei conta do quanto o espiritismo também podia vir acompanhado de boas doses de estupidez e egocentrismo. Mas aí já é outra história.

Mas, se na minha vida pessoal a Igreja parecia irrelevante, para muitas outras pessoas ela teve um outro peso. E peso aqui não é só uma palavra pra terminar a frase. Conheci mulheres (e homens) que passaram (e passam) a vida atormentadas pelo terrorismo religioso. Uma marca que ficou no corpo. No jeito de sentar, de falar, de trepar e sentir prazer, nos projetos de vida.

Conheço mulheres que foram julgadas quando se separaram. Mal faladas porque fizeram sexo sem compromisso. Excomungadas porque fizeram um aborto (e que se culpam até hoje por isso). Mulheres que introjetaram um controle do corpo e uma percepção tão pecaminosa do sexo que até hoje não conseguem gozar direito. Mulheres atormentadas em intermináveis almoços de família onde todo mundo só quer saber quando ela vai arrumar um marido. Mulheres pra quem manter a "família" (leia-se: casamento heterossexual com filhos) era tão importante que elas abriram mão dos estudos, da carreira, que dirá da felicidade (em alguns casos até mesmo da sua própria dignidade, quiçá da sua integridade física).

Mas o terrorismo religioso não atinge só elas. Tenho amigos gays que passaram anos sendo torturados pela culpa e pelo pecado. Alguns foram expulsos de casa. Alguns excluídos dos círculos de amigos ou dos grupos de trabalho da Igreja. Outros passaram até por tratamentos de reversão (que visivelmente não funcionaram...). Outros até hoje têm medo de contar. Boa parte segue sendo ignorada pela família. Uns tantos foram finalmente acolhidos pelos parentes, mas lhes reservaram aquela cadeira da mesa onde sentam os dignos da compaixão, do lado do primo drogado e da tia que não soube criar os filhos direito.

Pra quem é criado fora da tradição cristã, stricto sensu, pode parecer (como parece ainda pra mim) muito difícil entender o peso que esse discurso tem sobre a vida de uma pessoa. Imagine o que significa realmente acreditar no inferno. Realmente acreditar no pecado. Realmente acreditar que pelo jeito como você sente prazer, você pode ir parar nos braços do diabo por toda a eternidade. Ou mesmo que você não tenha uma fé assim tão medieval, imagine que a cada transa, beijo ou mesmo mera punheta ou siririca, depois do prazer lhe venha uma sensação horrível de culpa, culpa pela certeza de que você ofendeu não só sua mãe, sua sociedade, mas o próprio deus que te deu a vida. É nesse nível.

Isso não é pouca coisa. É dor que deixa marca pro resto da vida. Porque religião não é como TV. Não dá simplesmente pra mudar de canal. Porque tem a ver com o jeito que você aprendeu a entender o próprio mundo. A enxergar você mesmo e a projetar toda a sua vida. E mesmo depois que a gente manda o mundo inteiro à merda e parte em busca de outras filosofias de vida, essa marca continua lá, em algum canto, latejando, incomodando, feito farpa no dedo, caco de vidro no pé.

Isso quer dizer que sim, muita gente tem muitos motivos pra não ter nenhum respeito pela Igreja Católica. Como cobrar respeito por alguém que lhe fez tanto mal? Como cobrar respeito por alguém que segue achando que pode mandar na sua vida? E na vida de um país inteiro?

A imagem da santa é um símbolo. Símbolo do sagrado, pra alguns. Símbolo da opressão, pra outros. Eu jamais quebraria uma. Fácil pra mim. Mas posso entender p e r f e i t a m e n t e as dezenas de razões que tantas e tantas pessoas teriam pra despedaçar uma nossa senhora.

Há quem fale em tolerância religiosa. Wow! Como assim??? Vão falar isso pro Papa! Porque é a intolerância religiosa cristã que até hoje embarreira políticas públicas de saúde da mulher, de enfrentamento à Aids, de reprodução assistida e planejamento familiar, de combate à homofobia na escola, de reconhecimento de transexuais, de liberdade pros maconheiros, de dignidade pra prostitutas, etc, etc, etc.

Há quem compare a quebra da santa aos crentes que invadem terreiros de umbanda e destroem as imagens. Não, não, não, moço. Quando evangélicos arrebentam um centro, eles são os opressores, os históricos e violentos opressores. Aqui, quebrar a santa pode ser um ato de revolta de quem passou a vida tomando porrada, como um grito dos excluídos. A reação violenta do oprimido não pode ser comparada à sistemática e estabelecida violência do opressor.

A gente pode discutir se essa foi uma boa estratégia política. Vai agregar mais gente? Provavelmente não. As pessoas efetivamente entenderam o recado? Provavelmente não. Isso vai ser usado pelos conservadores pra desqualificar (mais?) a marcha? Certamente que sim.

Mas faz tempo que eu já deixei de acreditar que existe uma resposta certa. Já desisti de tentar convencer as pessoas daquilo que eu acho que é o caminho certo. Pelo simples fato de que eu posso estar absolutamente equivocado. Hoje eu acho que o movimento social precisa ser plural. E divergente. Se todo mundo concordar e agir do mesmo jeito, aí fudeu de vez. Portanto, talvez seja bom mesmo que algumas pessoas quebrem umas santas. Talvez seja bom mesmo que alguns manifestantes arrebentem umas vidraças. Talvez seja bom até mesmo que num momento de exaltação alguns vândalos botem fogo em certas assembleias legislativas... Eu não vou quebrar um banco, não vou invadir o Itamaraty ou subir no teto do Congresso. Eu sou cagão demais pra isso. Mas agradeço que existam doidos que topam essas coisas, porque eles forçam a barreira do senso comum de uma forma que eu nunca conseguiria. São essas bichas malucas, de calcinha enfiada e santa na mão, que me fazem pensar se eu não estou sendo uma bichinha comportada demais, legalista demais, medrosa demais, burguesa demais.

É bom que radicais e moderados convivam num mesmo movimento (e eu to mais pros primeiros, que fique bem claro). Dá mais consistência. Alimenta a reflexão crítica. Faz o tempo todo a gente repensar os nossos passos. Quando todo mundo anda igual, ninguém precisa justificar porque tá indo naquela direção. Como querer uma política que reconheça a diferença se não formos capazes de agir, politicamente, na diversidade?

Não sei no que vai dar - se é que vai dar em alguma coisa. Não sei se algumas pessoas vão se afastar da marcha por causa disso. Não sei se outras vão vir justamente por esse motivo. Só sei de uma coisa: se a porrada estancar, se o pau comer, se o bicho pegar, se o bonde passar e eu olhar pro lado, se as pontes de diálogo ficarem inviáveis, se eu tiver que escolher um lado, meu amigo e minha amiga, entre santas e vadias, eu não tenho dúvida. Certamente eu fico com as vadias...

ALEXANDRE BORTOLINI

Pra saber mais sobre o que aconteceu, você pode ler a matéria do G1. Mas leia com cuidado. E não acredite em tudo o que a Globo diz...
http://oglobo.globo.com/rio/manifestantes-quebram-imagens-sacras-na-praia-de-copacabana-9220356

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Carta a um amigo hetero.

http://foradacaxa.blogspot.com.br/2012/03/carta-um-amigo-hetero.html

99 comentários:

  1. É ai que tá... eu também sou bundona, não quebraria santos ou mostraria o dedo do meio para o Papa (para o Feliciano e Malafaia eu mostraria sim), mas se quero ser compreendida na minha pseudo-passividade, tenho no mínimo a obrigação de refletir a pseudo-agressividade alheia.
    (...)

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    1. Que lucidez a sua Alexandre,muita afinidade com meu pensar e vivência...também tive uma experiência religiosa (diferente da sua) que me levou onde você chegou em vários aspectos, através do pensar... questionar...buscar... descobrir o encoberto... Consegui me livrar da culpa, do medo...e continuei a partir daí, que já é libertador! E como! Vou querer ler outros textos seus! Parabéns!

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    2. Oi Alexandre gostaria de contribuir com o debate com um texto que publiquei aqui no Face. Abraços

      --SOBRE A DESTRUIÇÃO E A CONSTRUÇÃO DE SANTXS: POVO, ESPIRITUALIDADE E TRANSCENDENTALISMO--

      Antes de mais nada, só quero deixar claro que não quero julgar se foi certo ou errado o ato da quebra das santas na MdV do Rio. Também, de forma alguma acho que isso ilegítima a marcha, mas não vejo como fato isolado. Só quero expor o meu entendimento sobre que é uma santa, como ela é construída e oque significa sua destruição.

      O me motivou a escrever sobre isso, é que todos os textos que li até agora trazem as santas com um símbolo bem próprio da instituição Igreja Católica: o Vaticano, a Santa Sé, o centro de um braço opressor do sistema, uma organização com um passado e um presente mais sujos que poleiro de pato. Vendo por esse lado, obviamente é um ataque bem acertado.

      Mas o fato, é que a sacralidade de santos e santas não provem diretamente da Igreja instituição. Santos não são construídos lá no Vaticano, em um departamento especializado em ficcionismo, arte e divulgação. Os santos surgem e são sacralizados em meio ao povo.

      Não sei quais foram aquelas santas quebradas, mas acredito que sejam europeias, antigas. Pra ficar mais claro o que eu quero dizer, vou trazer duas figuras bem conhecidas nossas: Padim Ciço e Frei Galvão . Nos arquivos do Vaticano o primeiro não é santo, o segundo é. Lá eles tem uma burocracia bizarra para te fazer um santo. Você tem que ter tantos milagres comprovados, X fiéis seguidores. Daí você passa por níveis, primeiro beato, depois santo. Parece o sistema de qualificação do CNPQ.

      O que importa, é que a existência dessas figuras a um tempo atrás sequer era conhecida pela Igreja instituição. Mas já haviam sido consagrados santos pelo povo crente há tempos, por seus milagres, carisma e bem-feitorias às comunidades.

      Pergunte a um nordestino crente quem é Padim Ciço: "é o santo nordestino". Pergunte ao Vaticano: "segundo consta em nossos arquivos, é um padre".

      Essas figuras, representam para os fiéis pontos de encontro e acesso ao transcendental, à esfera dos milagres, ao místico. Acreditar ter sido curado por alguém que opera o oculto, caralho, isso significa MUITO para o crente.

      É só ver, imagens de santos e santas são muito mais presentes em altares do que a própria Bíblia. A Bíblia por si só, como objeto, não é reconhecido pela maioria por ter poderes de cura, ou de fazer chover. Os homens e mulheres santos o são. E neles o povo tem muita fé e um laço afetivo tremendo. Mais que afetivo: é algo da esfera da espiritualidade, do contato como o etéreo. É neles que o povo deposita a esperança de dias melhores. As vezes vem, as vezes não. Independente do resultado a fé continua a mesma.

      São profundos complexos psicológicos. Embasamento para a explicação da própria existência. Cara, isso é bem foda.

      Proponho que imagens do Frei e de Cícero sejam quebradas. É uma briga a ser comprada com o povo crente e simples, não tanto com o Vaticano. É com povo crente e simples que ignora a história suja da Igreja, que nem sabe oque os oprime (mal mal dar significado à opressão), é com o povo que transa de camisinha (e antes do casamento), que também aborta de vez em quando.

      E se esse povo é antiquado, machista e preconceituoso, vamos culpar a educação religiosa provida pela Igreja. A santa é outra coisa. Ela serve
      Não é citada na Bíblia, não é parte dos salmos, nem dos textos que promovem a opressão das mulheres.

      Resumindo, eu creio que os cacos da santa feriram muito mais o coração do povo crente, do que os muros do Vaticano. Talvez fosse a objetivo do casal lá. Mas não acho proveitoso criar-se ainda mais antipatia ao movimento, fortalecer a bolha que ainda o envolve.

      Não quero ver um movimento tão foda sendo hostilizado ainda mais. É preciso ter sensibilidade.

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    3. Ambos excelentes textos. Lerei na minha aula, sou professora de redação.

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  2. Ser vadia é ser menos, é vandalizar a dignidade de ser fêmea. Não quero afirmação de gênero com esse tipo de identidade, isso NÃO ME REPRESENTA.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Parabéns, Maria Claudia. Independentemente dos argumentos do texto, acho que faltou o principal: respeito. Só isso.

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    3. faltou entender o texto, pessoas. rs.

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    4. faltou entender o porque do nome da Marcha. vá pesquisar, Maria Cláudia, e eu te garanto que você verá que está sendo representada sim!

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    5. "Você pediu por isso, sua VADIA"
      Essa é a frase que pelo menos 70% das mulheres que são estupradas escutam, você sabia? E não importa se ela se vestia com uma burca, ou calça jeans e moletom, se estava de biquini na praia... é esse o tipo de discurso dos estupradores. E esse é o motivo da marcha ser "Marcha das VADIAS". Se você nunca passou por uma situação em que você foi agredida, diminuída, oprimida, se você nunca precisou de proteção ou de ajuda, então parabéns, talvez você não seja mesmo uma vadia. A marcha não precisa de representar, mas não se engane com a nossa sociedade, um dia podem ser suas filhas e podem precisar do que a marcha das vadias tanto tenta conquistar. (E eu falo do movimento e não dos anarquistas que sempre acabam se camuflando entre portestos sérios)

      Ah e só mais uma coisa: "dignidade de ser fêmea"? O que você é um animal? Sou uma mulher, sou do sexo feminino. FÊMEA, é a minha cachorra que entra no cio de 6 em 6 meses.

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    6. acredito tu ser FÊMEA sim!! é da espécie humana? fêmea da espécie humana, o q há de mau nisso?!

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  3. Alexandre, OBRIGADA. MESMO. Esse seu texto não só é o melhor texto crítico que já faz tempo que não encontro quando o assunto é "depredação", como também me define e também define tudo que eu acredito. EPIC WIN. <3

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    1. O texto é fodástico!!

      Peço que compartilhem aí

      NÃO É SOBRE FÉ. É SOBRE POLÍTICA!
      Contra difamações e a perpetuação das opressões!!!!
      Não NOS CALAREMOS!

      http://marchadasvadiasdf.wordpress.com/2013/08/01/nao-e-sobre-fe-e-sobre-politica/

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  4. Caro Alexandre, conheci você numa palestra na Escola SESC, quando ainda era professor da mesma. Interessante é que, sem saber que se tratava de você, li o texto todo com a certeza de que as idéias me eram familiares. Somente ao final do texto busquei na Internet (imagens), então entendi minha sensação de já ter o ouvido antes.

    Não acho você "cagão". Muito pelo contrário, assumir a própria personalidade já não é fácil quando seguimos padrões mais próximo do senso comum, imagine se está em desacordo com os mesmos.

    Sou heterossexual, cristão evangélico e um educador bastante heterodoxo. Creio em Deus de uma forma completamente diferente da descrita em seu texto. Tenho o desejo que todos conheçam o Deus que se fez homem para sentir o que sentimos e, acima de tudo, dar o exemplo de como viver, ser feliz e sentir-se completo. Mesmo diante das intempéries da vida. Espero que Ele se apresente para você como se apresentou para mim.

    Só mais uma coisa. Em seu texto, notei que você escreveu "deus" com letra minúscula. Concordo perfeitamente, pois o verdadeiro Deus é completamente diferente do pregado e vivido pelos "religiosos". Não estou falando de nenhuma religião em particular. Como evangélico, vejo absurdos dentro de nossas igrejas. Mas, como não sou Cristão de igreja, miro no Único referencial que verdadeiramente poderá fazer com que eu chegue em algum Lugar. Espero encontrar você nesse Lugar.

    Abraços e a Paz,
    João Monteiro

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  5. "Como cobrar respeito por alguém que lhe fez tanto mal?" Olho por olho e o mundo acabará cego meu bem (se é que já não está).
    Tenho CERTEZA que se um católico revidar essa manifestação queimando uma bandeira gay em praça pública, muitos iriam reprova-lo e condená-lo - se não o prenderem e o processarem por homofobia né.
    Esse vandalismo - e não manifestação - foi um grande desrespeito a religião dos outros (não sou católica), foi um ataque ao pudor e ao bom senso.
    Então eu posso ofender os homossexuais quando eu quiser, e se alguém vir me criticar simplesmente eu direi: Como vou respeitar alguém que tanto me fez mal?
    Pode isso? Certamente que não.
    Ato horrível e pior ainda quem o defende. Sem mais. Indignada.

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    1. Os homossexuais te fizeram mal de alguma maneira? Acredito que nao.
      Agora imagine como a religiao os fez mal. Nao só homossexuais, mas mulheres, transexuais, homens, enfim, seres-vivos.
      Os oprimidos estao cansados de serem oprimidos, apenas.
      Tente por um minuto se colocar no lugar dessas pessoas, nao deve ser tao difícil, até porque tenho certeza que voce já sofreu de alguma maneira só por ser mulher, e isso é revoltante, nao é mesmo? Eu pelo menos acho.

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    2. Pô, eu não entendi nada da falação da Milena Groetares.... A questão não tem nada a ver com os gays e sim com mulheres que foram desacatadas por policiais, pós estupros, sob a alegação de que usavam roupas indecentes. O assunto refere-se a determinação religiosa quanto ao uso do corpo pelas mulheres.
      É claro que podemos passar pela questão da homossexualidade, mas creio que a sua comparação foi inoportuna ou eu não entendi a colocação.
      Luiz

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    3. Protesto pra mim tem que ter elegância do primeiro ao último minuto. Quando partem pra ignorância, quando as pessoas descem do salto, quando resolvem escandalizar não a mim, porque nada mais me surpreende, mas outras que acreditam que sua religião, seu candidato ou seu time de futebol é o melhor de todos, o ato deixa de ser um protesto pra ser vulgaridade, agressão, vandalismo ... Pior ainda quando usam seus traumas, seus desejos de vingança pessoal, como pretexto para atingir aqueles que nem conhecem ou que não são os responsáveis diretos pelas suas frustrações. Essas pessoas não me representam e nunca terão o meu respeito, por mais que eu reconheça que a sua causa é legítima.

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    4. "A reação violenta do oprimido não pode ser comparada à sistemática e estabelecida violência do opressor"

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    5. Milena, imagino que você nõa tenha lido o texto do Alexandre com atenção. Não existe motivo algum pra católicos, evangélicos ou qualquer outra entidade religiosa, ou de governo ou de nada que seja, para queimar uma bandeira gay. Os gays não oprimem ninguem em sociedade. Assim como prostitutas, mulheres e homens que sofrem repressão religiosa. O ato de quebração das santas pode representar muita coisa pra essas pessoas que o fizeram. Prega-se muito o respeito entre religiões, mas esquecem-se que a Igreja (instituição Igreja) não sabe o que é respeito com outras pessoas.
      E além de tudo, ele mencionou o episódio da quebraçao das santas como algo fora do senso comum, porque tudo que parte do senso comum não acarreta mudança. Vira apenas uma baguncinha e pronto. Todos sabemos que pra uma coisa ser construida, outras coisas precisam ser desfeitas. Logo concluimos que independente se alguém ficou ofendido ou não, está feito e precisa ser interpretado como algo mais profundo que o senso comum, porque o senso comum de quem está de fora é apontar e julgar como arruaceiros e arruaceiras, irresponsáveis e, principalmente, vadias, no sentido pejorativo e repressivo da palavra.

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    6. O que você não entende é que a provocação de agora é o REVIDE.
      Na sua zona de conforto talvez você não tenha sentido as pedradas, as gargalhadas, as porradas. O chute no santo é merecido há séculos. E realmente, temos que deixar se ser cagões, levar porrada nós JÁ estamos levando, pelo menos que valha a pena.

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    7. Melhora continuar apanhando né, Joy? O Christopher disse o necessário. O discurso do pacifismo serve apenas à continuidade da opressão. O que me pergunto, às vezes, é por que, apoiado em que verdade, reivindica-se o respeito tão somente quando o oprimido, em esgotamento, manifesta a revolta. Mas, em nenhum momento, quando as religiões e os seus seguidores vilipendiam alguém nenhuma voz se levanta em nome do respeito. Há algo errado nessa lógica. Não acham?

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  6. O texto é a opinião pessoal de alguém e nem sabemos se ele relata algo rela. Ter amigos gays todos tem e os meus amigos gays são católicos.

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  7. Como ir pras ruas e lutar para melhorar o sistema politico do país se uma minoria tenta impor suas ideias burlando as leis? Estão fazendo exatamente o que os corruptos fazem.

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    1. Não Flávia, não é exatamente o que os corruptos fazem. Isso aqui é dar a cara a tapa diariamente, e resolver "do nada" se fazer ser ouvido. É irônico mesmo que depois de uma vida inteira apanhando de cabeça baixa, não é com a polícia que mais nos decepcionamos, mas com os cidadãos que julgam e recriminam, que vivem outra realidade e ainda assim se sentem no direito de dizer alguma coisa. Aqueles que ao invés de ponderar sobre o que estão vendo, imediatamente, com aquele instinto máximo de rebanho cultivado ao longo dos anos, querem ajustar tudo a sua realidadezinha cor-de-rosa.

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  8. Amei seu texto. E entendo que várias pessoas se sintam reprimidas, etc mas quantas se sentem felizes e encontraram felicidade e paz na resposta que determinada fé deu? Compartilhei seu texto no facebook e lá comentei que acho muito difícil de acreditar que algo pode mudar quando há desrespeito. Acho que existe muitas formas de protesto, e não é fazendo o mesmo, ou algo parecido com o que fizeram com quem foi agredido que se consegue isso! Eu sei o que é ter a marca da religiosidade dentro de mim mas eu que não sou ateia sei que Deus é muito mais que essa igreja, pena que as pessoas ficam olhando só pra essa religiosidade, religião ao invés de caminhar e encontrar.

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  9. Parabéns Alexandre. Vc disse tudo. =)

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  10. É Alexandre, gostei bastante do texto mas eu acho que é aquela velha história: explica, mas não justifica. Eu, particularmente, achei a iconoclastia desnecessária. E atitudes raivosas me preocupam.

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    1. Concordo, Camila! O texto é muito bem escrito e perfeito nas suas colocações, mas também ando sentindo falta dessa diferenciação (entender vs. justificar, ou entender/justificar vs. legitimar, não sei quais palavras seriam mais adequadas).

      Pelas discussões que tenho acompanhado e/ou participado nas últimas semanas vejo que as pessoas não parecem enxergar essa diferença muito claramente... Acredito que parte disso tenha a ver com uma tendência de "polarização". Parece existir uma necessidade de se tomar uma posição extremista, polarizadora... como se criticar a postura desses manifestantes significasse automaticamente defender a igreja! É quase um "ou você joga num time ou joga no outro". Ninguém quer "dar ponto pro inimigo" então rapidamente apoiam qualquer tipo de atitude que pareça "jogar no mesmo time". Criticar de forma consciente virou um tabu e as vezes quase que um crime contra a humanidade. Tenho visto uma forte hostilização de qualquer tentativa de crítica seja ela construtiva ou não... Isso me preocupa e muito!

      Posições extremas e mais irritadas sempre vão existir dentro de um movimento social como o que estamos vivenciando essas semanas, exatamente pelo que o texto aponta: existem diferentes motivações e contextos... o que me assusta é ver como aqueles que participam parecem querer estar isentos de críticas, como se essas críticas almejassem (na sua totalidade) "destruir" o movimento ou "abaixar as bandeiras". Acredito que só é possível evoluir se aprendermos a aceitar as críticas e as usarmos de forma construtiva. Como colocado pelo texto, AINDA não estamos numa guerra civil, ainda não precisamos escolher o lado das vadias ou da igreja, da policia o do black bloc... ainda podemos criticar de forma inteligente e transformar o movimento de forma construtiva.

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    2. Te preocupam por que, Camila?
      E o resto, o resto não te preocupa?????
      É o grito de poucos e de fracos que te preocupa?

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    3. Obviamente não posso responder pela Camila... mas posso responder por mim: SIM, isso também me preocupa muito.

      Fazendo uma analogia bastante simples: você, que está preocupado com a situação do Brasil, o resto também não te perocupa? A miséria na África não te preocupa? E a guerra civil na Somália? Talvez sim, talvez não... Não posso saber, só sei que isso não invalida suas preocupações com o Brasil, que são legítimas.

      Estou preocupado com a situação toda, mas isso NÃO significa que tenho que fechar os olhos pra outras coisas que me preocupam dentro do próprio contexto atual. Posso e devo lentar pontos que eu acredito ser válidos de forma a contribuir com a discussão. Como eu dizia ali em cima, para se fazer oposição não é preciso adotar cegamente qualquer atitude de oposição. Existem diversos gritos de poucos e fracos, alguns com os quais eu concordo e outros não. Alguns me preocupam e não significa que estou contra eles ou apoiando os opressores.

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  11. To aplaudindo de pé por mais de 5 minutos. Um dos melhores textos que já li. Parabéns, Parabéns Parabéns!

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  12. Fundamentalismo nunca é bacana. Você pode até propor o sofisma de uma dicotomia entre fundamentalistas opressores e oprimidos, mas isso não se sustenta na posição violenta.

    Não é um grito do silêncio. Taí o ranço de quem quer justificar os próprios erros com os erros alheios.

    Apesar disso, sua argumentação é muito interessante. A propósito, vc se incomoda em esclarecer mais os pontos de conflito entre as religiões apresentadas no texto e sua visão de mundo/ideologia? Confesso que adoraria saber!

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  13. ja vi putas chiques, e inteligentes, ñ pela religiões e sim pelo proprio respeito... sermos por dinheiro facil, ou pelo fato do "MUNDO" ñ nos compreender? Ja pensamos em outro meio para trabalhar em bem comum?

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  14. Nada avança quando retribuimos o preconceito com preconceito.

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  15. Qualquer ato iconoclasta (do satanismo ao ateísmo teatral) tem um quê de homenagem à fé. Parabéns pelo texto!

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  16. Alexandre, tinha acabado de postar o seguinte na minha página no Facebook quando cheguei ao seu texto:

    "Meus 2 cents? Eu não teria feito essa performance. Não teria sugerido nem incentivado. Costumo optar por ações mais diplomáticas, e acho que é mais útil esclarecer a imagem de um movimento social como o feminista do que confundir. Ponto. Isto posto, eu sou branca, da classe média, cis, criada em meio católico. Não sofro diariamente um décimo do que muita gente que também quer dar seus 2 cents. E tem como esperar que os cents de quem sofre mais que eu sejam tão cordiais quanto os meus?" 

    É sempre reconfortante encontrar identificação nos próprios questionamentos. Parabéns pelo texto e pela coragem de questionar os próprios princípios em público, dando a cara a tapa. Tamo junto.

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  17. Lindo, Maravilhoso, Parabéns!
    Passei o dia lendo vários textos sobre o assunto e essa realmente foi o melhor de todos. Me senti representada em cada detalhe, infelizmente ontem não pude estar na Marcha. A principio achei a ação um pouco exagerada mas vendo tantos amigos que se dizem de " esquerda" e "esclarecidos" comentando negativamente sobre o assunto, achei que algo realmente estava estranho.

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  18. Finalmente uma opinião que combina com o que eu penso. Eu não faria algo assim, não quebraria imagens nem mostraria os seios em uma Marcha das Vadias, mas entendo quem faz isso.

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  19. Porque as vadias ou quem quer que seja, não vão fazer seus movimentos e protestos com argumentos? Ahh não porque só terá "efeito" se falar da igreja não é.. ah por favor.

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  20. O texto é corajoso mas como alguém já disse aí em cima, explica, mas não justifica. E na minha opinião este ato não atacou a instituição, mas a fé das pessoas, o que é muito diferente.

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    1. Rosana, não é muito diferente não. A instituição cultua a fé e por meio dela legitima sua doutrina e suas violências opressoas. Como no texto ele diz são pessoas cansadas de serem oprimidas por aqueles que seguem a doutrina, seja familia ou sociedade e por todos aqueles que tem fé nela, e não apenas pela instituição. E todo esse culto se dá por meio da fé, que não passa de uma artimanha barata pra justificar coisas que não podem ser justificadas por meios racionais. Fé é a pressuposição de uma verdade, sem qualquer dúvida, por muitas vezes até ignorando fatos que possam ilegitmar essa pressuposição.
      Pessoas com fé, muitas vezes tomam atitudes as cegas sem perceber que estão causando mau alheio. Portanto o ataque não é so à instituição, ou a deus, mas também a essa idéia de fé.

      Ps.: Como a crítica é quase o oposto da fé, é normal a fé não receber bem uma crítica bem feita.

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  21. Texto fantástico! Não concordei com a forma de proposta que vi, mas você abriu minha cabeça e fez essa revolta fazer um pouco mais de sentido pra mim. Realmente não são rebeldes sem causa. Não apoio a violência, mas isso vale para ambas partes, no passado e no presente.
    Parabéns pela escrita.

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  22. Realmente concordo que a igreja sempre e sempre moldou o comportamento, agora pessoas que pegam os dogmas religiosos e destroem é o mesmo que queimar uma bandeira gay ou queimar o livro O Capital.

    O respeito que é cobrado não é o mesmo que é dado! Radicalismo é provado pela história não muda nada, apenas acirra conflitos e desgraças!

    Infelizmente o que fizeram no RJ ontem foi a típica sociedade burguesa que sabe que não vai acontecer nada!

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  23. Me passaram o link daqui numa discussão e eu escrevi lá um monte de coisa antes de ler esse post só para ver que já tava escrita aqui um monte coisa que eu disse lá. :-P Chovi no molhado.

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  24. Texto fabuloso, incrível e corajoso. Óbvio que várias pessoas vão ler ou leram e não entenderam nada, porque são pessoas que permanecem vivendo lá embaixo, no mundinho confortável, consumista, hedonista e fútil delas. Não serão capazes de compreender as dores dos oprimidos e jamais entenderão que elas também são oprimidas, mas, que preferem serem opressores dos seus semelhantes.

    Aqui no Nordeste, para a Sociedade Tradicional Coronelista e Machista (que isso fique bem claro!!!!!) mulher e peido são a mesma coisa. E essas mulheres são durante anos violentadas fisicamente e mentalmente por seus companheiros e pela Igreja Católica que as acorrentam em um casamento inútil e de aparências. Algumas pessoas podem falar: "Ah elas podem pedir o Divórcio!" Se fosse assim tão fácil...É uma pena que a maioria das pessoas não compreendam o sofrimento e a opressão das outras. E isso porque nem falei de como os gays são condenados dentro da Igreja Católica e Evangélica e quantos vivem transando e se sentindo culpados depois de um boquete ou de ter dado a bunda. Alguns até tentam se matar. Ano passado um rapaz da Carismática aqui na Paraíba se matou. Ele era gay. Tenho um amigo que ocupa um cargo dentro da Igreja Católica e é gay e se sente possuído pelo Satanás quando se masturba pensando em homens.

    Seu texto é libertador e fico feliz em saber que há pessoas com uma ótima capacidade argumentativa e esclarecimento e empatia sobre as dores alheias.

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  25. Parabéns pelo ótimo texto. Audacioso, em uma sociedade em que vivemos com medo de falar certas verdades.

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  26. Sou gay...ex crente e não me vejo representada nesta ato.

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  27. UUmmmm corajoso mesmo,mas fique tranquilo a maioria não vai entender, e nem vai querer entender! Como disse alguém lá em cima: tamo junto!

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  28. Alexandre, parabéns. Seu texto é simplesmente genial.

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  29. Francamente, não acho que haja nada fora do "senso comum" no seu texto. É claro que não é o senso comum da Globo e da família burguesa-classe média-brasileira, mas é totalmente senso comum dentro do pensamento de esquerda. Enfim, essa introdução foi só um pequeno ataque fortuito - mas não acho que essa motivação um tanto mesquinha invalide o que eu disse.
    Acho que você faz uma caricatura tosca da religião, mas o problema nem é esse na verdade; isso é só parte do que torna bastante visível o problema no seu raciocínio e que quero comentar: conheço muita gente que não recebeu criação cristã ou católica (sei lá que termo usar) e que sente essas mesmas coisas aí que foram descritas.
    Diante disso, podem me dizer que está aí a prova de que a Igreja tem super poderes e que seu legado está completamente disseminado.
    Bem, que ela (ainda) tem poder, ninguém em sã consciência questiona, mas realmente acho que o problema da culpa, das repressões diversas ao sexo e às mulheres e homossexuais em particular tem raízes e pontos de sustentação muito mais profundos e duradouros. Acho que, longe de o fato de muita gente de formação não-cristã sentir essas coisas ser prova da força do cristianismo, é prova de que na verdade a base das interdições e repressões está em outro lugar. Na minha opinião, essas coisas só "colaram" porque faziam sentido.
    Sei que é um exercício meio anti-histórico, mas, pra encurtar o argumento, vou pegar um exemplo e tratá-lo de maneira meio simplista: há anarquistas na cidade do Rio de Janeiro e nem por isso o discurso deles tem muita penetração. Por outro lado, ideias de caráter bem liberal como "self-made manismo", mérito acima de tudo, fiscalização de para onde vão os impostos etc. dão um ibope danado. No entanto, se formos parar pra pensar, os dois "campos" de ideias - liberalismo e anarquismo - poderiam facilmente convergir nessas ideias específicas, embora partam de princípios completamente diferentes e, por vezes opostos (não à toa, os anarquistas foram acusados pelo socialistas de estarem muito presos ao individualismo pequeno-burguês).
    Então, por que as ideias liberais "dão ibope"? Porque existe um "terreno fértil" pra elas; porque são afins a ideias e percepções difusas porém maiores e mais gerais em nossa sociedade.
    Acho que a mesma coisa aconteceu ao longo da história com o cristianismo. Se estou certo em minha percepção, muitas ideias que você aponta nele podem até ser vistas como sintoma, e não causa, de todo esse peso negativo que se colocou sobre o prazer e a sexualidade.
    E pra que serve essa minha argumentação toda? Para que consigamos colocar o foco nas coisas certas a serem combatidas, para que nossas ações com vistas a transformar essas relações problemáticas sejam mais efetivas.

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    1. Nossa, relendo o que escrevi vi várias coisas que poderia ter redigido melhor. Vou deixá-las passar porque não tem volta, mas tenho que fazer uma observação sob pena de ser muito mal interpretado.
      Acho até que, pelo desenrolar do meu argumento, dá pra entender o que eu quis dizer, mas é melhor ser claro. No fim do terceiro parágrafo eu digo "na minha opin, essas coisas só colararm porque faziam sentido". Bem, espero que fique claro que, quando digo ali "fazer sentido", não quero dizer que acho que elas procedem, que fazem sentido na acepção de serem certas. Longe disso. Acho que são construções históricas carregadas de contingência, e só disse que fazem sentido me referindo ao fato - que explico em seguida - de que tinham terreno fértil onde caírem - terreno este que seria talvez algo amplo e difuso como a "visão de mundo" de uma época.

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    2. Apesar de ser um bom ponto o seu, Arepo, as construções históricas que citou abaixo são mais profundas do que faz parecer, inclusive em se tratando da Igreja; o "terreno fértil" para tais ideais foi moldado por séculos de educação e moral quase que unicamente cristãs (ou católicas, ou o termo que preferiu); o mesmo se aplica ao exemplo dos anarquistas. A sociedade cresceu com uma ideologia um tanto oposta à deles, portanto as ideias permanecem estranhas ao grande público.
      Creio que o grande mérito do autor (Alexandre) foi a visão através dos olhos de quem tenta seguir um caminho diferente desta construção social, apesar das influências já sofridas por ela. Meu pai é ateu, minha mãe é agnóstica, e mesmo assim tive Ensino Religioso como matéria obrigatória na escola, tive que cantar músicas sacras em apresentações e conheci muitas pessoas que perguntavam, pouco depois de saber meu nome, qual era minha religião. E isso que tenho menos de 20 anos. As pessoas mais velhas foram criadas com bases religiosas, ensinadas por seus pais e avós, e assim passaram-nas para seus filhos. A opressão é real, presente e mais forte do que parece.


      P.s.: Desculpe o "tratado-resposta", acabei incluindo um comentário ao texto original em si.

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    3. Sim, Nenya, as construções históricas são mais profundas mesmo e concordo que tenham sido formadas, em parte, pelo próprio cristianismo. Por isso falei que era um exercício meio anti-histórico, visto que, para encurtar a exposição, fui obrigado a simplificar o argumento.~
      Acho que o principal é que as coisas se formaram mutuamente. Se formos olhar no cristianismo dos primeiros séculos, não há praticamente nada disso a não ser a (odiosa, evidentemente) opressão às mulheres. Não é que seja pouco, mas vemos claramente que é a mesma opressão às mulheres que já existia no entorno. O resto foi construído ao longo do tempo. E se foi surgindo depois então não está no cristianismo, mas foi adicionado a ele. É parte do que é o cristianismo hoje? Provavelmente, mas não há nada essencialmente cristão ali para que não possa ser suprimido. Logo a Igreja católica não me parece um bom alvo. Há que se atacar, sim, essas formas de se tratar mulheres, homossexuais, negros e por aí vai, mas isso devia ser feito em qualquer instituição ou dimensão da vida.
      Acho que é comum precisarmos nomear um inimigo para podermos combatê-lo, mas, como qualquer leitor de Michel Foucault sabe, quase nunca as relações de poder são simples; quase nunca existe realmente um alvo em que atirar e que, depois de destruído, estará resolvido o problema. É preciso saber quem e como combater.

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    4. Desculpe entrar no debate pela janela. Primeiro, o texto do Alexandre é bem interessante, e concordo plenamente com o que é colocado. Segundo, a crítica do Arepo procede - em parte, como deixa claro a intervenção da Nenya. Meu comentário vai no sentido de questionar se a ação perpetrada pelo grupo de manifestantes que "vandalizou" as imagens sacras - assim como o próprio sentido das críticas "religiosas" da Marcha como um todo - não são direcionadas muito mais à instituição Igreja Católica (e ai, sendo bem foucaultiano) do que a uma imagem genérica e "pura" do cristianismo - se é que ela existe de fato como parece crer o Arepo. Discordo quando diz que "logo a Igreja Católica não me parece um bom alvo". Se existe um "Cristianismo" (com letra maiúscula), uma identidade cristã primordial que remonte os "verdadeiros ensinamentos" de cristo, etc, etc., a Igreja católica passa longe dessa idealização, na minha opinião. Se foi a Igreja que corrompeu o mundo ocidental ou vice-versa, podemos discutir. Mas fato é que a opressão, a negação da alteridade, a perseguição religiosa e política, etc., são coisas que fazem parte da Igreja católica - e do processo civilizador ocidental, lógico - há séculos, à revelia do que escrevem os evangelhos dos apóstolos sobre a conduta do fundador do culto. Long story short, apontar o dedo para o catolicismo - "-ismo", para a hegemonia da fé católica entre os cristãos, seu poder dentro do nosso status quo, e seus lobbies, a opressão sobre determinadas parcelas da sociedade, suas determinações políticas travestidas de religiosidade, sua intromissão danosa na vida de quem não professa esta fé, etc. - me parece um bom caminho, tendo em vista tudo já exposto pelo Alexandre. Espero ter conseguido me fazer entender. Abraços!

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    5. Legal o seu comentário, Felipe. Acho que se fez entender, sim. Só que me parece que, no que toca o ponto geral, vc mais reafirmou o ponto de vista ao qual eu tentava me contrapor, sem colocar muitos argumentos extra para injetar nova força nele.
      Mas quanto ao problema do que seria o cristianismo hoje, você levantou questões que me fazem querer explicitar um pouco melhor o meu ponto. Pra fazer isso, porém, vou atacar o problema "lateralmente". Não é que eu ache que existe um cristianismo "puro", só falei aquilo pra explicar que são coisas "acessórias" ao cristianismo. Minha ideia ali era que seria possível, por ex, propor aos católicos que se desvencilhassem de uma série de "elementos" que nos parecem problemáticos (falo "nós" porque provavelmente concordamos em diversas críticas de que Igreja Católica é passível). Assim, eles poderiam, em tese se desvencilhar de muito disso visto que não haveria tanta coisa nos "livros sagrados" para engessar a esse ponto a crença deles. Os exemplos que andaram aparecendo por aí do Vaticano contrariando declarações do papa de que ateus "do bem" não iriam pro inferno seriam até uma prova disso, já que, se o papa - que é o papa - pode tirar essas conclusões, é porque a própria ortodoxia estaria ainda em disputa. Agora, claro que a(s) tradição(ões) da Igreja são muito fortes.
      De qualquer forma, meu ponto central é que tendências a ver, por exemplo, as mulheres como portadoras de uma ameaça (o que, grosseiramente falando, teria justificado a queima de bruxas pela Inquisição, p. ex.) estariam presentes já na(s) sociedade(s) em que o cristianismo floresceu. Tenho a impressão de que o cristianismo teria muito mais servido para canalizar e dar forma específica a um impulso mais genérico nesse sentido.
      Então, pra amarrar tudo isso, acho que entrando em confronto com a Igreja (e por extensão com seus fiéis) perdemos mais do que se tentássemos mudar sua maneira de ver nossas bandeiras. É uma questão estratégica. Começar pela mudança na maneira da ortodoxia religiosa de ver essas coisas vai ser muito difícil, mas penso que, "amolecendo" a cabeça dos fieis, as coisas tenderiam a de alguma maneira se transformar. O ponto é que confrontando desse jeito, com uma performance como a que está em questão, vai tudo por água abaixo.

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  30. Realmente, a reação violenta do oprimido utilizando atos de revolta de quem passou a vida tomando porrada é algo super plausível mesmo, utilizado inclusive por grupos como o... taliban... já ouviram falar?

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  31. Alexandre
    Seu texto é bem coerente.
    Apenas quero escrever que o maior problema de toda manifestação é o foco na causa. Pois é a causa que deve ser preservada. Caso contrário, qualquer ato ou atitude se justifica. O "grotesco" passa a ser "genial", e vice-versa.
    Que possamos lutar contra os opressores SEMPRE, mas que sejamos SEMPRE SUPERIORES A ELES!

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  32. Pode não parecer, mas escrever um texto deste tamanho para ao final dizer que concorda com a agressão gratuita mas não se envolve, é no mínimo uma atitude e pensamento pequeno burguês. Parabéns!

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  33. - Pressão psicológica só aceita quem REALMENTE ACREDITA na fé Cristã. ACHO TOLICE alguém que diz não acreditar em Cristo ou em Deus se incomodar com isso. É REALMENTE HIPOCRISIA. Se eu não creio, como crio peso na consciência... e SE CREIO, pq vou ser contra???????

    - TB É HIPOCRISIA pedir respeito desrespeitando. Centenas de homossexuais vão a Igreja Católica e assumem ela como Religião... sabem que a Igreja considera um erro sua opção sexual, mas sabem também que, como o Cristo, OFICIALMENTE ninguem é rejeitado. Se há rejeição é por parte do preconceito dos muitos cristãos que, como qualquer um, possuem pecados...

    - ANDAR PELADO: atentado ao PUDOR... quebrar imagens de determinada religião: DEVERIA SER ENQUADRADO na mesma linhagem de crimes daqueles que possuem preconceito contra NEGROS, HOMOSSEXUAIS, INDÍGENAS... etc. ISSO É INJÚRIA!!!

    - SÓ LAMENTO PARA A PARTE DA POPULAÇÃO QUE ESTÁ SERVINDO DE MASSA DE MANOBRA. Com certeza este protesto também estará nas campanhas dos "anti-Dilma" na próxima eleição, ESPECIALMENTE na campanha daqueles que dominavam o PAÍS e, a custa dos protestos feitos sem cabimento por GENTE como essa da reportagem acima, PROVAVELMENTE retornarão ao poder. QUE DEUS nos livre deste CARMA que é o retorno ao passado político do Brasil... e que se não FOR a Dilma, que seja REALMENTE ALGUÉM que QUEIRA MUDAR O PAÍS SEMPRE PARA MELHOR.

    - E VADIA, segundo o dicionário Michaelis:
    "VADIO
    va.di.o
    adj (lat vagativu) 1 Que não tem ocupação ou que não faz nada. 2 Que vagueia; vagabundo, ocioso, tunante. 3 Próprio de gente ociosa. 4 Diz-se do estudante pouco aplicado. sm 1 Indivíduo vadio. 2 Dir Aquele que se entrega à vadiagem. col: cambada, caterva, corja, mamparra, matula, súcia."

    OU SEJA... JAMAIS, ESTANDO EU NA PELE DE UMA MULHER, ESTARIA NUM PROTESTO QUE ME CHAMA DE "VADIA". ISSO REALMENTE É COISA DE QUEM NÃO TEM O QUE FAZER!!!

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    1. Bem mais coerente... Esse movimento não me representa em nada.
      Levando ao pé da letra e do entendimento:

      NÃO SOU OCIOSA E ESTE MOVIMENTO NÃO ME REPRESENTA E NUNCA ME REPRESENTARÁ.

      As reivindicações desse bloco de "manifestantes" vão de contra minhas convicções, sou mulher e tenho a opinião de que aborto é um crime... Meu corpo minhas regras OK.. Tenho um filho de 5 anos e ele não fez parte de meu corpo... Meu marido e eu o ajudamos a se formar dentro de meu útero... Portanto ele se abrigou por nove meses em mim E SÓ. Sou radicalmente contra o aborto... Todos nós tivemos o direito à vida, independente como seja.

      Não adianta exigir respeito desrespeitando o próximo... Aquilo foi um ato de extremo mal gosto. A rua é pública... Vivemos em sociedade querendo "as vadias" ou não. Na rua transitam diversas pessoas... Inclusive crianças que não são obrigadas ver tais cenas de pura afronta . Esse movimento COM CERTEZA NÃO ME REPRESENTA.

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    2. Imagine se houvesse intolerância religiosa aqui no Brasil como vemos todos os dias em noticiários internacionais?? Se houvessem homens-bomba aqui por conta de depredamento de santos??? Só imagine... Acho que alguns trechos de seu texto foram um tanto quanto tendenciosos...Ainda bem que o Brasil é um dos poucos países em que cada um pode escolher a sua religião. Graças a Deus.

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    3. Concordo com os seus argumentos, Daniel. Muitos que se incomodam tanto com a Igreja nem sabem onde é a porta de entrada de uma quando passam em frente. Eu já fui católico praticante, e quando adolescente, nunca me incomodei em me masturbar. Falam como se ainda vivêssemos na idade média. Quem vive assim, vive por opção. Hoje me sinto muito mais oprimido pela obrigatoriedade de ser "contra tudo o que esta aí". Nem ouso dizer na frente das pessoas o que eu concordo ou não, pois o risco não é ser excomungado (perder o direito a comungar) e sim o risco é ser morto por um Black Bloc infantilóide que acha que é um revolucionário. Sinto no ar um clima de revolução, mas a revolução cultural de Mao Tse tung, uma revolução de Pol Pot.. Uma revolução do terror e da intolerância sobre a forma de "democracia" popular.

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  34. Que kardecismo é esse que faz vc olhar as outras igrejas dessa forma? Isso veio da sua família e não do Kardecismo, visto que frequento casas espíritas kardecistas e sei que isso não existe no nosso meio

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  35. Alexandre, confesso que resisti um bocado pra ler seu texto, por achar que era completamente parcial e voltado em defesa incondicional às vadias. Li e vi que não foi exatamente isso, e terminei percebendo que temos ideias em comum. Sou ateu e repudiei desde o início a visita do Papa ao país, primeiro porque me incomodava saber que o estado - dito laico - provê subsídios pra patrocinar uma religião, em detrimento de outras. Depois porque a cidade que vivo (Rio de Janeiro) não possui infraestrutura adequada pra um evento desse porte (e presenciamos isso durante essa semana).

    O grande ponto aí, é que a ação das vadias, foi uma falta de respeito não contra a igreja ou contra a religião, que tanto as fizeram sofrer durante uma vida inteira, mas foi uma falta de respeito contra os religiosos ali presentes, contra crianças, contra qualquer um que não estava preparado pra ver aquilo.

    Os peregrinos e religiosos em geral, (na minha visão ateísta) são tão vítimas quanto essas pessoas, e merecem o mesmo respeito que os manifestantes exigem.

    Mas concordo com você quando diz que verdade é uma questão subjetiva. E por isso me sinto capaz de dizer se o que as vadias fizeram foi certo ou errado. Não me incomodou, mas com certeza chateou muita gente, e talvez até me incomodaria, se meu filho pequeno ou o seu estivesse por lá.
    Foi um ato desesperado? Uma estratégia pouco inteligente? Somente as vadias podem dizer, e se valeu a pena ou não, pois elas são as responsáveis pelo que aconteceu, e sofrerão as consequências por isso, e as consequências virão. Os veículos informativos (e desinformativos) vão cair em cima disso, e tentar manchar a imagem do movimento. Na realidade, isso já está refletindo negativamente (inclusive por simpatizantes).

    É isso aí. Parabéns pelo texto.

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  36. Belo texto. Copiei alguns trechos citando a fonte.

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  37. "A reação violenta do oprimido não pode ser comparada à sistemática e estabelecida violência do opressor."

    Acredito que existe uma falacia gritante neste famoso bordão... Bem verdade que a violência do oprimido não pode ser IGUALADA à do opressor... mas não vejo incoerência nenhuma em COMPARAR uma à outra.

    Também acredito que está equivocada a atitude de "jogar tudo no mesmo saco" de forma simplista, mas é preciso muito cuidado na hora de "proibir" essa comparação! O que pode ser feito é pedir mais cuidado e reflexão na hora de comparar uma violência à outra, observando os diferentes contextos e motivações.

    O uso indiscriminado desse famoso bordão, proibindo e "endemonizando" de maneira dogmática essa comparação, é algo extremamente perigoso. Vem servindo como base para legitimar todo e qualquer ato de violência para com o opressor. Negar que exista essa comparação é quase dizer que não foi violento menino que sofreu bullying a vida toda e aos 16 anos resolveu entrar na escola e metralhar os coleguinhas e professores... só pra dar um exemplo, obviamente não exaustivo...

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  38. Gostei da reflexão, e vou observar melhor esse seu comentário no texto em parênteses:

    "Portanto, talvez seja bom mesmo que algumas pessoas quebrem umas santas. Talvez seja bom mesmo que alguns manifestantes arrebentem umas vidraças. Talvez seja bom até mesmo que num momento de exaltação alguns vândalos botem fogo em certas assembleias legislativas..."

    "É bom que radicais e moderados convivam num mesmo movimento (e eu to mais pros primeiros, que fique bem claro). Dá mais consistência. Alimenta a reflexão crítica. Faz o tempo todo a gente repensar os nossos passos. Quando todo mundo anda igual, ninguém precisa justificar porque tá indo naquela direção. Como querer uma política que reconheça a diferença se não formos capazes de agir, politicamente, na diversidade?"

    Quero observar que a princípio eu concordo com o Pensamento, esse que é produto de Reflexão intimida de nossos conceitos. Quando olhamos para realidade e vemos barbares, e vemos violência e nos perguntamos o que esta acontecendo? Porque as pessoas fazem o que fazem? Quem esta certo ou errado? Como posso interpretar isso? - isso tudo faz parte da Reflexão de pessoas que se sentem (corretamente) não detentora da Verdade. Nisso eu comungo com tio!
    Creio também que a unanimidade é sempre burra!

    Mas como cristão e como alguém que crê em algo além desse mundo. Crê que existe um Deus, e que esse Deus é o Deus da história, e que Nele tudo está no controle, até mesmo a barbárie e a violência!... Se não fosse o controle de dEle, o mundo já teria acabado a muito tempo. É graça de Deus que ainda exista vida nesse planeta, em plena decadência e podridão.
    CONTINUAÇÃO PRÓXIMO COMENTÁRIO

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  39. Agora complementando o texto seu sobre: "talvez seja bom mesmo que algumas pessoas quebrem umas santas" o que acha se alguém continuar o seu raciocínio pensando também assim: "Talvez seja bom que haja homens bombas aqui no brasil explodindo nos metrôs e ônibus; Talvez seja bom que haja terrorista aqui degolando infiéis em nome de Alá" ai depois você diz: "É bom que radicais e moderados convivam num mesmo movimento".

    Cara acho precipitado e infeliz esse raciocínio! Ser intolerante não pode ser apreciado em nome do não Politicamente-Correto. Violência só leva a violência! Ignorância só produz mais ignorância.
    Correndo sério risco de ser piegas em comentar sobre uma reflexão sua que acho que não é um conceito formado da sua parte. Mas ouso a vislumbrar um horizonte onde tudo possa esclarecer, que... "Pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais."
    Efésios 6:12 NVI
    Para fraseando o texto bíblico: Não é com a nossa força, ou com violência, ou como alguns dizem a "A revolução" que iremos mudar o mundo. é com o espirito de Deus, e em espírito que mudamos e fazemos parte da mudança espiritual. Embora sejam ainda carne mas vivemos e lutamos por aqui-lo que ainda não existe, que é a certeza da quilo que não se viu(FÉ).
    O mundo muda quando a gente muda por dentro, e se liberta do egoísmo e passa a amar a Deus sobre todas as coisa e ao próximo com a ti mesmo.

    CONTINUAÇÃO PRÓXIMO COMENTÁRIO

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  40. Creio que a violência ocorrida pelos manifestante talvez seja uma resposta ou motivada pela violência sentida em primeiro lugar da "igreja". Em parte é causada pela falta de amor e ao que você chamou de "terrorismo religioso", esse que é causado pela falta de sensibilidade e misericórdia para com os que sofrem com as garras do pecado, sendo consumidos pelos próprios desejos, vícios e pecados, e permanecendo nas trevas não conseguem entender a luz! Confundem a luz com agressão aos olhos acostumado na escuridão.
    A pessoa que fica muito tempo na caverna escura, pode queimar a sua retina, se de repente sair para a luz do sol.

    A confusão é causada, de um lado porque eles não conhecem o amor dos Cristão, que negligenciam o serviço de amar o homossexual. Não conhecendo a misericórdia do Deus dos Cristãos, através da vida dos cristão para com eles, pensam (muitas vezes com razão) que os Cristãos só querem julga-los, condena-los, discrimina-los, marginaliza-los. Assim passam a não acreditar em seu Deus.
    E a confusão é causada por outro lado, com o pensamento de achar que ao critica-lo com a luz da palavra de Deus, trará dor e ofensa. Pensando que irá machuca-lo, ou ataca-lo; reagem de pronto e imediato a ao suposto ataque com mais violência, intolerância, ignorância e escárnio.

    Pondo mais lenha na fogueira de sua reflexão, coloco meu pensamento (embora seja meu e por isso livre pra pensar) submisso a palavra de Deus.

    Não sou dono da verdade mas sem quem É!

    FIM!!!

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  41. Querido irmão, essa opressão citada em seu comentário muito bem redigido é simplesmente uma onda de idéias que passa agora pelo mundo na tentativa de tornar normal e aceitável esse lance de homossexualismo, o que na verdade sempre foi bem aceito por todo mundo e nunca foi questionado, de verdade somente pelas famílias que têm essa infelicidade de ter um em seu meio. Quanto a opressão, na verdade é essa palavra maldita do que não existe, homofobia, que os homossexuais tentam impor todos como se verdadeiramente existisse.
    Quanto a se ficar chutando imagens de santos ou santas você há de convir que é imensa falta de respeito ao que é sagrado para o outro. Direito de mulheres matarem seus indefesos filhos em seus úteros é coisa que apenas não pode ser compartilhada e nem apoiada por quem é verdadeiramente representante do deus da vida neste mundo. Quanto a crer ou não crer no inferno é pura opção de cada ser humano particularmente considero como um aleijamento na alma de quem não crê, só acho que não é nada inteligente querer que alguém que fala ao mundo com a autoridade de um Deus que você não crê, fique calado ou dê apoio a todos esses pensamentos que são contra a vida, não esta vida nossa de agora mas a vida de verdade que só começa quando os nossos olhos se fecharem nesta vida contudo os que vivem escravos de prazeres e orgasmos, quando morrerem ainda estarão escravos de prazeres sensações e orgasmos e quando receberem o corpo que não morre mais estarão presos a uma coisa que não existirá mais e daí vira a eterna dor por que se fizeram a opção de não aceitarem as indicações de quem fala pelo Deus da vida, o Deus da vida também já tem a opção de não permitir que eles entrem na sua casa

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  42. Há os que não precisam da intimidação e ameaça do fogo do inferno, para que sejam éticos, morais e virtuosos, ou de algo em troca (vida eterna)

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  43. As pessoas devem respeitar as pessoas, por elas em si, não por seus pensamentos e ideias. Quem dera que os generais do Hitler o tivessem confrontado em suas loucuras. Ex seminarista, batizado na igreja católica, nunca excomungado, suas convicções religiosas o levaram ao extermínio de seis milhões de judeus. Muito embora, não costume usar do subterfúgio de associar a maldade à religiosidade, o faço, apenas para àqueles que associam a maldade ao ateísmo.

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  44. O RELIGIOSO é assim mesmo, é educado, gentil e até te chama de irmão, ele só não tolera é que discordem dele e da existência de seus amiguinhos imaginários. Se ainda tivesse o poder, queimaria em praça pública seus semelhantes, por crime de opinião.

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  45. Não li nenhum comentário, pra mim não pensar que fui pela maioria, ou pelos primeiros comentários da sua lista.Mas, no momento em que vi essa cena na TV, o meu sentimento foi de tristeza, lamentei mesmo a atitudes destas pessoas que fizeram isso em meio a um evento religioso, alias em momento algum eu concordaria com isso, com nenhuma religião. A maneira como fizeram e como estavam "vestidos" foi uma afronta e tanto. Ao que parece o ato deles não teve força para atrapalhar o evento.Agora o seu texto merece um aplauso.As famílias se apegam a um controle que a religião impõe. Na minha família, fomos criados no catolicismo. Hoje ja tenho uma irma evangélica e outra se aproximando. Minha mãe lamenta e eu num to nem ai, desde que não inventem de me "arrebanhar".

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  46. Caro Alexandre:

    Seu texto é muito lúcido e pontual.

    Claro que tudo tem um outro lado. Eu sou agnóstico, mas conheço bem os grupos de fé e as ideologias por trás desses grupos.

    Tratando especificamente da ICAR, veja bem, as pessoas se sentem oprimidas e tudo o mais, mas existem tantos outros fatores de "opressão" sobre essas pessoas, será que daqui a pouco elas vão destruir TUDO o que de alguma forma limitou seu modo de vida?

    A escola por exemplo, com certeza a escola limita muitos dos meus desejos e rouba um tempo enorme da minha vida, embora, ao contrário da religião, me brinde com o entendimento necessário para minha vida.

    A família nos moldes tradicionais também são fontes de conflito, ainda mais considerando que elas são construídas sobre um modelo religioso.

    São tantas fontes de opressão...quem me libertará da tendência humana de hostilizar o diferente e o que é minoritário? Quem é "diferente" e não sofreu quando criança? E esse bullying não deixou marcas? Quem devo execrar em praça pública?

    Você passou pelas forças armadas Alexandre? Cara, você pode ficar louco ali. No militarismo toda opressão é elevada à milésima potência. Em forma tudo é destruído, tudo, tudo mesmo!

    Quer ver gays perseguidos, humilhados? Vá às fileiras!

    Voltemos ao caso. Você acredita realmente que TODO católico age e pensa como ditam as regras da Igreja? Não, em sua maioria eles são gente como a gente!

    Mas agora são eles os atacados, pois para a igreja que diferença faz duas pessoas enfiando estátuas e cruzes no rabo? Eles condenam ex cathedra e fim de assunto, a polêmica até é "boa" para a igreja, pois mostra o "tipo de gente" que ataca uma "instituição que está promovendo a paz".

    Não é uma questão religiosa, nem APENAS moral, mas foi um estupro à consciência de pessoas que não podem ser culpadas pelo TODO e foi, pior, um chamado às armas, um chamado ao católico "médio" para que ele defenda sua "mão" das ofensas de Satanás.

    Foi um ato impensado, idiota. Quer atacar? Vá ao Vaticano, entre nu na Praça de São Pedro e introduza quantos objetos quiser e puder no reto.

    Do jeito que foi feito, bem...defender isso é defender o indefensável.

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  47. sabe o q eh piior? nem vi aquela foto do oglobo primeiro.. eu no sabado acompanhando pela TV NINJA vi estas cenas e gritos obscenos pra chocar quem eles sabem q sairiam chocados e na boa.. deixei um pouco pra ver se via algo produtivo. vi sim uma alegoria de um aborto.. ponto positivo .. vi a referencia a uma fantasia de pm de rosa .. ponto positivo nao sei se rolou pq tinha momentos q eu saia pq tava trabalhando .. voltei e vi mais gritos de ataque a catolicos todos cheios de palavras de baixo calão que nao me chocam mas sei que chocam varios deles inclusive muitos que apoiam as causas que defendemos... e me pergunttei: pra que isso!? e desliguei fui dormir com a sensacao de que esse tipo de militancia eh muito amadora.. so de deixar esse tipo de gente se infiltrar .. so de ver eles fazendo e ninguem fazer nada.. como falei com varias pessoas inclusiuve feministas "com cabeça" que conheco: essa pauta precisa ser organizada.. senao qq movimento vai ser colocado como bizarrice por quem realmente se deseja alcançar... e nunca será levado a serio!

    e sinceramente, nao to nem ai com o q fazem com uma cruz, cada um tem seu fetiche!! hhahaha

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  48. Penso que este debate deva existir, pois é a balança do equilíbrio social. Que nenhuma instituição se sinta a vontade para vomitar todo o seu repudio à uma causa, pois ela estaria fadada a oprimir.

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  49. Na boa, religião é uma opção. Se as pessoas escolhem não gostar de homosexuais ou "vadias" FODA-SE, bando de feminazi que tenta obrigar as pessoas a pensarem igual a voces

    tudo pra voces é um conflito de "caucasiano heteronormativo machista capitalista" x "um trans-asiático self-diagnosed pansexual demiromantico vegetariano sociologo"

    Voces se acham tao diferentex que pensam fora da caixa.. aii que chiques.. Bando de nazista que quer moldar a opinião de todo mundo, pagando de coitadinho

    A fala grosso, porra!

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  50. Quebrar imagens de santos pra mim não tem nada demais... Evangélicos já fizeram isso...
    tive filhos antes do casamento, hj sou mãe solteira e sinceramente cago para o que a Igreja ou os católicos pensam ou falam de mim.

    Agora isso já é demais:
    "Em seguida, os manifestantes quebraram as imagens e as cruzes. Por fim, uma manifestante pegou o que sobrava de uma cruz, colocou camisinha em sua base e a enfiou no ânus de seu parceiro de encenação. Tal ato assustou até mesmo outros manifestantes que não esperavam tanta ousadia. Uma delas disse que colocaria uma máscara para não ser reconhecida, já que receava represálias no trabalho".
    A libertinagem é um mau uso da liberdade de um indivíduo, é a extrapolação da liberdade, e quando isso acontece, os limites são ultrapassados e a integridade física, emocional ou psicológica de outra pessoa é posta em causa. A libertinagem leva a uma falta de respeito pelo próximo, e indica falta de dignidade e bom caráter.

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  51. http://lucianoayan.com/2013/07/28/como-cobrar-o-preco-dos-marxistas-culturais-pelo-desrespeito-praticado-no-evento-da-jmj/

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  52. Será que aquelas pessoas são REALMENTE quem a mídia e a população acham que são?
    É possível que tenham sido pessoas envolvidas em um plano para denegrir a imagem dos não-católicos?
    Fica o questionamento!

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  53. Muito obrigado Alexandre, vc me contemplou de uma maneira que eu jamais imaginaria que alguém conseguiria com relação a esse tema. Parabéns pelo texto, ele é completo e todos os sentidos que essa palavra pode ter.

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  55. Bela reflexão. Vim aqui por indicação de um blogueiro e realmente seu texto tem muita lucidez.

    Eu venho do Espiritismo kardecista, mas confesso que me afastei da religião exatamente por ver tanta gente usando as religiões para alimentar hipocrisia, preconceito e discriminação. Então prefiro ter minha fé dentro de mim e não compactuar com tudo isso que está aí.

    Beijocas

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  56. Se algo me surpreendeu em relação à santa quebrada durante a Marcha das Vadias, sem dúvida foi a repercussão por algo tão estúpido. E digo estúpido em todos os sentidos possíveis: Desde ter chegado a este ponto de repercussão negativa até o ato em si, que foi estúpido e mesmo burro. Mas legítimo.

    Antes de mais nada, é preciso deixar claro: Não é aceitável de forma alguma igualar o oprimido em ato de revolta a seu opressor. E a Igreja Católica é a opressora.

    Da mesma forma, não se iguala ato de opressor contra outro, como se isto deslegitimasse o oprimido de protestar. Falo aqui dos exemplos toscos ou comparações toscas entre o ato de um pastor evangélico (opressor) quebrar uma santa católica em uma guerra entre opressores.

    Tampouco procede a comparação entre a opressão de evangélicos destruírem terreiros (opressor versus oprimido) e o caso em tela, pois ocorreu o INVERSO, ou seja, seria como se, revoltados com a opressão e a devastação de seus terreiros, pais (e mães) de santo fossem até "templos" evangélicos descarregar sua justa raiva contra o opressor.

    http://www.tsavkko.com.br/2013/07/a-santa-quebrada-quando-igualam-o.html

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  57. A opressão da igreja funcionou por séculos, mas não se aplica para a geração atual que sempre foi livre em relação a sua sexualidade. Fruto da luta de muitas gerações anteriores, estas sim verdadeiramente transgressoras. E a discussão sobre a culpa nos leva para um campo nebuloso, que não se prende somente a questão religiosa, mas como uma parte dissociável dos sentimentos humanos. Quanto aos símbolos, representam muito mais que meros objetos, pois carregam a energia de quem neles deposita sua Fé e estão presentes na maioria das religiões. Sua profanação é um ato de agressão (e não aceitação) do outro. Imagine como seria se quebrassem um Menorá (candelabro judaico) em praça pública? No mínimo seriam presos como nazistas. Ou se destruíssem um despacho seriam acusados de racistas. Nesse episódio os católicos se mostraram bem tolerantes. Os peregrinos não aceitaram a provocação e seguiram seu caminho, com muita dignidade.

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  58. ótimo texto! Parabéns!
    http://wlquartoescuro.blogspot.com

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  59. cara... algumas coisas que você escreveu me lembrou as coisas que sempre escrevo e não pensei que outra pessoa entendesse da mesma forma. Muito legal o texto!

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  60. Falar dA Igreja, dA religião, dOS católicos, pra mim é muito complicado. Mesmo o cristianismo desde o seu surgimento sempre foi plural. Me lembro de um professor que sempre se referia a cristianismos e judaísmos e protestantismos e por aí vai. Na verdade eu acho que divergências são sempre benéficas de alguma forma,mas falta à meu ver, em quase todas as "causas" á serem defendidas ou bandeiras hasteadas a verdadeira noção do respeito. Meu pai sempre me ensinou que o meu direito termina quando começa o do outro. Pré concepções, homogeneizações são sempre muito perigosas, ainda mais em um país como o nosso tão plural. É complicado juntar instituições, crenças, culturas, estruturas familiares, preconceito, etc, colocar tudo dentro de um mesmo saco e dizer que é a mesma coisa. A História apresenta cada vez mais possibilidades acerca das questões religiosas. A cultura eurocêntrica e eclesiástica divulgadas pelos documentos históricos não representam de fato realidades, e essas pré concepções de domínio e submissão podem ser interpretadas de inúmeras formas levando-se em consideração, determinada região, determinado grupo, determinada época,etc. Culpar as religiões e mais precisamente o cristianismo pelos males do mundo, ou pelos males do Brasil é no mínimo uma redução fácil como a crença em um deus ou demônio. Ou explicação simples como Adão e Eva. A sociedade, em geral e principalmente a brasileira é plural de mais e seus problemas são complexos de mais para serem resumidos A IGREJA ou A GLOBO. O Papa pode ser arbitrário ou não e isso pode ou não ter a ver com ele ser católico (fica meio engraçado mesmo), mas um homossexual pode ser pedófilo ou não e isso pode ou não ter nada haver com sua opção sexual. E para não me desvencilhar totalmente do tema, "as vadias", certa vez um antropólogo me contou uma história, de uma tribo onde mulheres são circuncidadas assim que atingem a maturidade. Certa jornalista, em uma matéria na tribo, julgando ser esta uma prática absurda, convence uma das jovens a não passar pelo procedimento, levando em conta seus preceitos "esclarecidos" da sociedade "moderna". Muito satisfeita com seu ato bondoso, a jornalista voltou para seu país. A jovem não circuncidada, não encontrou mais espaço em sua sua sociedade, foi abandonada pela família, não pôde casar-se, não pôde assumir nenhum papel naquela sociedade e se não me engano, acabou por suicidar-se. Acho a história realmente uma abominação. Diante de tudo que julgo como certo, aquela sociedade foi muito injusta com a tal jovem, os parentes foram uns monstros, seu lugar como mulher sem dúvida é menosprezado naquela sociedade. Mas o que é certo para mim nem sempre é o certo pro outro. Não sei se a imposição dos meus valores vai melhorar ou piorar a vida alheia. Meu comentário, é apenas mais uma possibilidade de reflexão, sem nenhuma pretensão de desmoralizar nenhum dos lados ou nenhuma das manifestações discutidas no texto, nem a das vadias, nem as religiosas nem nenhuma outra...

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  61. Estaremos, então, juntos ao lado as vadias. Santas estão no céu e lá não têm do que reclamar.

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  62. Lola, perfeita a sua colocação. Um excelente motivo para reflexão no momento tão conturbado em que vivemos no qual os valores se dissolvem sem que haja algo para ocupar seu lugar. Sobreviveremos ao vazio absoluto?

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  63. Muito boa colocação, Alexandre. Parabéns.

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  64. ´Alexandre, sou ateu desde de minha adolescência e, como você, também não gosto de julgar as coisas apenas como certas ou erradas. Entretanto, relatividade absoluta não existe e diante disso gostaria de chamar a atenção para uma idéia muito perigosa em termos sociais que observei nas entrelinhas do seu texto: Basicamente você diz que se você foi oprimido por algo, isso te da o direito de responder violentamente contra aquilo. Não gostaria de viver em um mundo que defenda essa lógica tanto quanto em um mundo oprimido pela religião.
    Seria prudente lembrar que o Brasil é um pais laico que respeita a liberdade religiosa, assim como deveria respeitar a liberdade sexual. Portanto, seria interessante zelar por respeito mutuo as diversas liberdades e não ostentar desavenças entre grupos.

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  65. Alexandre, parabéns, não preciso dizer mais nada. Também fui espírita por 36 anos, e procurava há tempos um nome para o que vc chamou de "condescendência arrogante" dos espíritas. Senti alívio quando vi que essas percepções não eram só minhas rsrsr Concordo totalmente com seu texto.

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